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Aproximar o aluno do universo da leitura é uma tarefa que começa antes mesmo da alfabetização e se estende por toda a vida escolar. Por ser uma tarefa que exige dedicação, esforço, vontade e acima de tudo persistência na busca do conhecimento, é preciso apreender a mensagem transmitida pelo conjunto de palavras que formam frases e textos de diferentes gêneros.

Escrever e ler são duas atividades do processo de alfabetização que devem ser conduzidas paralelamente.  Pensando nisso, preparamos para o ano letivo de 2016, o Projeto “Lendo o Mundo”, um projeto que visa despertar em nossos alunos do Ensino Fundamental I, o gosto pelos textos e livros.

Quando se fala em leitura, especialmente na sociedade brasileira, logo se percebe o grande índice de resistência, principalmente pelos educandos no âmbito escolar e num país castigado pelo analfabetismo, projetos de incentivo à leitura são muito mais que bem-vindos: são fundamentais. Seguindo esse propósito, ler todos os dias é chave para alfabetizar e formar cidadãos que compreendam o ponto de vista de quem escreve, fazendo uma leitura crítica, reconstruindo o sentido segundo suas vivências e ampliando assim, sua visão de mundo.

Coordenadora do Ensino Fundamental I

Alessandra de F. Guizin Fernandes

Ler por prazer é o X da questão

Correr os olhos pelos livros dispostos numa prateleira, escolher um deles e dirigir-se à poltrona mais próxima, seja na biblioteca, na livraria ou na sala de casa. Melhor ainda: deixar-se escolher por uma obra literária. À medida que as páginas são viradas, o leitor se vê transportado para uma espécie de realidade paralela – um mundo inteiramente novo, repleto de descobertas, encantamento e diversão. Pouco importa se quem lê é criança, jovem ou adulto. Menos ainda se o que está sendo lido é poesia, romance ou um livro de autoajuda. O que realmente interessa é a cumplicidade entre o leitor e a obra, alicerçada no prazer que só a leitura é capaz de proporcionar.

Ler por prazer é o X da questão. Há quem leia, por exemplo, apenas para se informar, dedicando regulamente algumas horas de seu precioso tempo a jornais e revistas – como você, caro leitor, está fazendo neste exato momento. Trata-se de um hábito mais que saudável, a ser preservado e disseminado, e de suma importância na chamada “sociedade da informação” em que vivemos. Mas ele não necessariamente irá transformar você num apaixonado pela palavra escrita. Da mesma forma, a leitura para estudar, parte da rotina nas salas de aula, tem suas funções pedagógicas, mas não faz despertar a paixão pela literatura. Quem descobre prazer numa obra literária nunca mais para de ler. Quando chega ao fim de um livro, já está louco para abrir o próximo. E só tem a ganhar com isso.

O papel da escola é fundamental nesse processo. E quem melhor que o professor para despertar em seus alunos o prazer da leitura? São muitas as atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula com esse objetivo. “Promover um debate, por exemplo, para discutir cenas ou situações presentes num livro que acaba de ser lido pela turma é uma prática importante e muitas vezes esquecida”, afirma a educadora Maria José Nóbrega. O problema é que o profissional de educação nem sempre conta com os recursos necessários para concretizar essas atividades, ou simplesmente não sabe como implementá-las.

Quando a escola não cumpre esse papel, ganham relevância os inúmeros projetos de fomento à leitura espalhados pelo Brasil, tema desta edição especial de NOVA ESCOLA. Num país que ainda sofre com deficiências no ensino público e com o alto índice de analfabetos funcionais (aqueles que, embora tenham aprendido a decodificar a escrita, não desenvolveram a habilidade de interpretação de texto), qualquer iniciativa que vise a transformar brasileiros em leitores é extremamente bem-vinda.

Matéria retirada da revista Nova Escola